onde foi que eu parei?
foi em 20 de dezembro que tudo se esvaziou. veio esse desassossego que mora aqui comigo e me atropela até hoje, agora, enquanto escrevo. eu e meus planos infalíveis. no dia 20 de dezembro, quando o último deles deu errado, o japonês usava uma camiseta com um desenho do cebolinha. me lembro de olhar para aquela mesa cheia de gente, e eu já nem tinha forças pra argumentar. eu pensava e eu sabia exatamente o que devia fazer, jogar o jogo, sorrir, dançar a dança. lembro da raiva e lembro de repetir dentro da minha própria cabeça. calma, já acaba e você vai poder ir pra casa chorar. tinha essa voz me dizendo pra fazer o que devia ser feito. tinha essa outra voz, meio teimosa, quase infantil, sabendo que estava participando ativamente do que se tornaria a sua ruína, mas firme. não vou jogar esse jogo. é uma questão de princípios. valores. nem preciso dizer que foi a segunda voz que eu resolvi seguir. meu jeitinho.
eu não sei dizer se me arrependo, mas provavelmente não. eu nunca fui o tipo de pessoa que é vítima das circunstâncias. não há lugar em que eu tenha estado sem que eu tenha ativamente me colocado ali. para o bem e para o mal.
dali pra cá, ladeira abaixo. mas era só o que tinha que acontecer mesmo, eu nem sei como sobrevivi tanto tempo. eu achava que 2012 não ia ser superado, e lá estava eu novamente, sendo adestrada por uma grande corporação. o nome do blog vem disso. eu aprendi a me calar, mas isso funcionou tipo uma parte do tempo. se tivesse funcionado o tempo inteiro, bem. não seria eu. e essa não eu ainda estaria lá.
eu falo, né?
depois daquele 20 de dezembro, eu chorei quase todos os dias. em 20 de janeiro eu pensei. um mês já, e não melhora. minha fé tinha ido embora, e eu tinha parado de enxergar saída. eu sempre fui boa em achar saída, em tirar um plano B da cartola. 2014 me fez forte pra isso. usei em 2015, em 2016, em 2017, até aquele 20 de dezembro. eu não teria tido forças para além dali.
eu entrei em 2018 me perguntando se são paulo teria me dado o golpe final. aquela que a gente bate com a mão no tatame e aceita a derrota. fevereiro chegou e cada dia de manhã eu suspirava comprido e me prometia não pedir demissão. só por hoje. aguenta chegar março, sai com o projeto entregue.
e assim foi.
diferente do que eu achava, diferente do medo que me segurou lá por mais de três anos, não chorei de tristeza, não tive raiva, não senti que nada havia sido interrompido. fim de ciclo. me despedi sorrindo.
me dei conta de que faz 10 anos que eu estava olhando a cidade, ainda o rio, e achando que tudo tinha chegado ao fim. era 2008.
será que é isso de novo?
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